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FISIOLOGIA BÁSICA

As éguas são “poliéstricas estacionais”. Isso significa que as éguas têm “ciclos” normais apenas durante parte do ano, normalmente do começo da primavera ao fim do outono. Em climas quentes, as éguas podem ter ciclos relativamente normais durante a maior parte do ano. A cada 21 ou 22 dias a égua desenvolve e libera (ovula) um óvulo em um dos seus dois ovários. O óvulo desce pelo contorno do útero até o corpo do mesmo. Se a fecundação não ocorrer, com o encontro do esperma do garanhão com o óvulo no corno, o óvulo morre e a égua vai produzir outro óvulo em 21 dias. Isso é chamado de “ciclo estral”. Externamente o ciclo estral é caracterizado por duas fases. Uma fase é o do “cio” ou “estro”, durante o qual a égua vai aceitar o garanhão para a cobertura. A égua vai indicar sua receptividade ao garanhão urinando freqüência e “piscando” a vulva quando está próxima dele. Esse período normalmente dura de 5 a 6 dias. A segunda fase do ciclo estral é quando não está no cio e não é receptiva ao garanhão. Nessa época, a égua normalmente vai “murchar” as orelhas, relinchar e escoicear o garanhão. Esse período normalmente dura 16 dias e representa o tempo entre os períodos de cio. Na maioria das vezes, a égua não vai mostrar o seu período de cio, que esteja próxima de um garanhão ou rufião que a “excite” se mostrando interessado.

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Se ocorrer a fertilização após a égua ser coberta pelo garanhão, não deve mais haver mais cios evidentes até após o nascimento do potro.

Após cada ovulação, o “buraco” que é deixado no ovário é preenchido tecido especial produtor de hormônio formando o corpo lúteo. Esse tecido produz um hormônio chamado progesterona, que impede o desenvolvimento de outro óvulo nos ovários, e diminui as contrações uterinas normais em preparação para a prenhez. Se a égua não for coberta, ou não ficar prenhe, o tecido do corpo lúteo torna-se inativo e desaparece. Isso permite, então, a produção de estrógeno (o principal hormônio feminino), pelos ovários, para produzir outro óvulo para o próximo ciclo estral. Se a égua ficar prenhe, a produção de progesterona, primeiro pelo corpo lúteo e, mais tarde, pela placenta, evita que a égua tenha outro “cio” até aproximadamente de 7 a 10 dias após o parto. Esse é chamado de “cio do potro”. A duração média da prenhez (período de gestação) é de 345 dias. Algumas éguas (aproxima­damente 17% ) vão apresentar cios falsos durante a prenhez. Quando isso ocorre, dura normalmente apenas 24 horas e raramente a égua permite que o garanhão realmente a cubra nesse período. Uma cobertura forçada nessa situação pode induzir um aborto. Fisicamente, esses cios falsos não se distinguem dos verdadeiros.

Fisiologia da Égua

Início da maturidade sexual (puberdade): 10 a 24 meses (18 meses)

Idade média recomendada para primeira cobertura: 2 a 3 anos, dependendo do desenvolvimento

Duração média do ciclo estral: 19 a 23 dias (21 dias)

Duração média do cio: 4,5 a 6,5 dias (5,5 dias)

Duração do intervalo entre os cios: 13 a 18 dias (15 dias)

Época da ovulação: 1 a 2 dias antes do fim do cio

Época mais fértil para cobertura: 2º ou 3º dia do cio ou 3 diasantes do fim do cio

Época aconselhável para nova cobertura após o parto: 2º cio (25 a 35 dias)

Período de vida do óvulo após deixar o ovário: 2a 6 horas

Estação de monta: agosto / fevereiro

Fisiologia do Garanhão

Início da maturidade sexual: 10 a 24 meses (18 meses)

Idade média recomendada para primeira cobertura: 2 a 3 anos, dependendo do desenvolvimento; machos jovens devem ser usados moderadamente

Período de vida do espermatozóide no trato reprodutivo feminino: 2 a 4 dias

Número de éguas por estação (Stud bookings)

anos de idade10 a l5(2 a 3 semana se tanto)

anos de idade15 a 20 (espaçadas, com períodos de descanso)

anos de idade20 a 30 (evite duas por dia,”duplas”)

Adulto30 a 40 ( 2 ou 3 “duplas” por semana são possíveis)

18 a 2510a 20

Alguns garanhões já cobriram 100 éguas em uma estação de monta.

POSSUIR UM GARANHÃO NO HARAS

Manter um garanhão para cobertura não é uma atividade recomendada para os cavaleiros novatos. Isso é devido às seguintes razões: a) a maioria dos garanhões é imprevisível e sempre potencialmente perigosa (há muitas exceções a essa generalização); b) os garanhões devem ter uma infra-estrutura especial, um abrigo adequado, uma cerca forte (ou elétrica especial para equinos, uma área de exercícios de 9 x 15m deve sei considerada o mínimo, com uma área muito maior, de um quarto de acre ou mais, sendo melhor); c) infra-estrutura adequada é essencial para as éguas que chegam, e cuidar delas é uma responsabilidade considerável; d) uma com­preensão completa da fisiologia e higiene da cobertura, rufiação e problemas comuns é essencial para uma atividade bem-sucedida e produtiva.

É melhor para todos os envolvidos — os cavalos e as pessoas — que possuírem um garanhão no haras, seja uma atividade para cavaleiros experientes.

Procedimento de Cobertura

RUFIAÇÃO

Para determinar em que fase do ciclo estral está uma égua, ela é “rufiada” permitindo-se que um garanhão se aproxime dela. Nesse momento ela indicará sua receptividade ou rejeição. Como é necessário cobrir a égua na época correta do seu ciclo estral, o sucesso de um programa de cobertura pode depender de um programa de rufiação realizado cuidadosamente.

Éguas virgens e “vazias” (as que não estão prenhes) devem ser rufiadas, pelo menos, 30 dias antes da estação de monta; o ciclo individual de cada égua deve ser anotado. Essas éguas devem ser rufiadas dia sim, dia não, até
que os sinais de cio sejam detectados. Nesse momento, deve ser feita rufiação diária e continuada por 2 ou 3 dias após o fim do cio. Novamente é feitaa rufiação dia sim, dia não, até o próximo cio, quando deve ser coberta. Essas
anotações de rufiação podem ser de grande valia para determinar o momento apropriado para a cobertura ou para ajudar a reconhecer os problemas, quando ocorrem.

As éguas que foram cobertas são rufiadas novamente para se notar se a égua mostra qualquer sinal de volta ao cio. Essas éguas são geralmente rufiadas a cada 2 ou 3 dias após o ciclo estral que foram cobertas, mas são cuidadosamente rufiadas todos os dias durante um período de 7 dias, que começa no décimo – sexto dia após a égua ter saído do cio. Se a égua não emprenhar deve entrar no cio no décimo – oitavo dia após ter saído do cio.

3-Após o parto, as éguas devem ser rufiadas diariamente, começando no quarto dia, se a cobertura no nono dia for desejada. As éguas nunca devem ser cruzadas antes do nono dia e não devem ser absolutamente cruzadas neste cio, a menos que a égua esteja normal em todos os aspectos sem machucadurasinternas, sem corrimento e com exame bacteriológico negativo, realizado por um veterinário. É melhor esperar o próximo ciclo para cobri-la novamente A égua deve ser rufiada dia sim, dia não, a partir do vigésimo dia, e diariamente a partir do vigésimo – quinto dia até o trigésimo – quinto. A maioria das vai entrar em cio no trigésimo dia.

Padrão de cobertura

Se uma égua é normal e saudável, e seu ciclo estral foi bem estabelecido por um programa de ruflação cuidadoso, cobri-la três dias antes do que ela deve sair do cio é provável que resulte em prenhez. Esse é normalmente o terceiro dia de cio. Os estudos indicaram que cobrir uma égua 2 vezes ou mais durante o cio só aumenta em 3% a taxa de prenhez, e aumenta a oportunidade de uma infecção se instalar.

Muitas vezes não é possível ter o ciclo de uma égua preestabelecido, portanto, é prática comum cobri-la no segundo e no quarto dia do cio e novamente 3 dias depois, se ela ainda estiver em cio forte. Se a égua está num cio prolongado, de 10 dias ou mais, é melhor parar as coberturas até que ela tenha voltado aos ciclos normais, o que normalmente ocorre no fim de setembro. A cobertura diária não é um procedimento recomendado. Isso geralmente desgasta muito o garanhão e aumenta as chances de se estabelecer uma infecção na égua.

Higiene da Cobertura

Para ajudar a evitar a possibilidade de se estabelecerem infecções no trato reprodutivo da égua, boas técnicas de higiene da cobertura devem ser usadas. Isso inclui os seguintes procedimentos:

Enfaixe a cauda da égua — pelo menos, os 30 a 45cm superiores, para manter os pêlos longe da vulva. Isso também evita a possibilidade desses pelos cortarem o pênis do garanhão na hora da cobertura.

Lave a vulva e os quartos traseiros da égua, que podem entrar em contato com o pênis do garanhão. Use um sabão suave (um sabão neutro) e enxágüe bem.

Lave o pênis do garanhão antes e depois da cobertura.

Contenção

É sempre uma boa prática usar contenção apropriada na égua durante a cobertura. Apesar da cobertura no pasto resultar numa taxa de prenhez muito mais alta, a “cobertura controlada” é uma prática comum para evitar ferimento no garanhão. Para assegurar essa proteção, a égua deve ser contida para evitar que escoiceie o garanhão durante a cobertura. Um “cachimbo” e um pé-de-amigo (peia no pé presa no pescoço) são normalmente suficientes para essa contenção. Alguns cria­dores preferem usar peias de cobertura ao invés do pé-de-amigo. O cachimbo deve ser usado rotineiramente, a menos que uma égua, em particular, não o tolere e cruze bem sem cachimbo. Esse procedimento é um perigo potencial para o garanhão. O cachimbo (uma corda ou corrente passada ao redor do focinho e apertada) deve ser sempre aplicado primeiro, antes que qualquer corda ou peia seja colocada. O cachimbo deve ser a última coisa removida após a cobertura ter-se completado. Isso é uma preocupação importante para evitar que as éguas que não toleram cordas, se machuquem. Um pé-de-amigo consiste de uma corda que vai de uma outra corda circular em torno do pescoço até logo abaixo do machinho esquerdo, circulando-o, e de volta ao pescoço. É ajustado de forma que a égua não possa escoicear, mas permite que se mantenha em pé sem perder o equilíbrio. O pé-de-amigo é amarrado com um nó fácil de desatar. Muitas peias de cobertura diferentes estão disponí­veis. A menos complicada é a melhor.

Procedimento de Cobertura Controlada

Traga a égua para fora ou coloque-a numa rampa de cobertura segura e bem construída, se uma for usada.

Enfaixe sua cauda e lave-a preparando-a para a cobertura.

Traga o garanhão e permita que se aproxime da égua o suficiente para ficar interessado e expor seu pênis. Nesse momento, o garanhão é levado para o lado — contra uma parede ou cerca segura, para lavar seu pênis.

Coloque o cachimbo e, então, o pé-de-amigo ou as peias de cobertura na égua. (Prender ou amarrar uma das patas dianteiras para cima é, geralmente, um procedimento muito perigoso e não recomendado.)

Pode-se, então, permitir que o garanhão se aproxime da parte traseira da égua, pela esquerda, mantido sob controle por um peão competente. É uma prática aconselhável ter uma corrente passando pelo lado esquerdo do
cabresto, sobre o focinho do garanhão, até o outro lado do cabresto, para controlá-lo melhor. Também é aconselhável ter à mão um chicote de aproxima­damente l m de comprimento para o caso de se tornar necessário usá-lo para
controlar o procedimento de cobertura.

Se a égua e o garanhão estão sob controle e o garanhão apresenta uma ereção, permite-se que ele monte a égua e complete a cobertura. Se o garanhão tem tendência a morder a égua na hora da cobertura, deve ser colocada uma
proteção sobre o pescoço e a cernelha da égua. O abanar da cauda (em movi­mento para cima e para baixo) do garanhão, indica que houve uma ejaculação normal.

Quando o garanhão deseja desmontar (normalmente após aproximada­ mente um minuto), permite-se que o faça, e uma tentativa de lavar seu pênis deve ser feita. Isso é geralmente muito difícil de se fazer, mas não é tão impor­tante quanto a preparação anterior à cobertura. O garanhão é colocado, então,de volta à sua cocheira ou piquete.

As cordas são, então, removidas da égua e o cachimbo é finalmente retirado.
Nesse momento faz-se com que ela ande calmamente por alguns minutos, abandagem da cauda é removida e ela é, também, levada de volta à sua cocheira ou piquete. A prática de se jogar água fria na égua após a cobertura, numa tentativa de impedi-la de “devolver” um pouco do sêmen, não é eficaz, não sendo um procedimento recomendado.

Cobertura no Cio do potro

É a cobertura da égua no primeiro cio após o parto, normalmente em torno do nono dia. Os prós e contras dessa prática são o seguinte:

Vantagens

Se uma égua é coberta nessa época, há uma chance de prenhez.

Se uma égua emprenhar com essa cobertura, ela vai parir três semanas mais cedo no ano seguinte. Isso pode ser importante para os interessados em corridas ou exposições que querem ter potros maiores para a competição.

Uma pequena porcentagem das éguas vai apresentar um cio do potroforte, mas não entrará novamente em cio durante a estação de monta.

Desvantagens

Os estudos têm indicado que a taxa de prenhez normal dessas coberturas no nono dia é de apenas 25 a 43% contra os 56 a 65% conseguidos quando as éguas são cobertas no seu segundo cio, aproximadamente 30 dias após
o parto.

As taxas de aborto são de aproximadamente 13% contra os 4% considerados normais.

3. A taxa de potros mortos ou doentes é de 7% contra menos de l % que é o normal.

As éguas estão mais suscetíveis às infecções uterinas nas 2 primeiras semanas após o parto do que em qualquer outra época.

Há uma incidência maior de retenção de placenta e infecções uterinas após o parto.

Devido às várias desvantagens associadas à cobertura no cio do potro, ela não deve ser prática de rotina e deve ser considerada somente se a égua foi examinada e não apresenta machucaduras na cérvix e na vagina, e sua cultura cervical é considerada “negativa” pelo veterinário. Muitos criadores exigem um exame veterinário pré-cobertura e uma cultura de muco cervical em todas as éguas trazidas para cobertura. Isso geralmente evita muitos pro­blemas.

INFERTILIDADE NA ÉGUA

Quando revemos a fisiologia básica da égua, notamos que durante o ciclo estral ocorrem muitas mudanças fisiológicas e físicas. Para os propósitos de cobertura, quatro atividades principais precisam acontecer, todas no tempo apropriado para assegurar a prenhez. Elas incluem:

A égua precisa mostrar um cio aparente, de modo que esteja aceitando o garanhão para cobertura.

Deve produzir um óvulo e desenvolvê-lo completamente.

Deve ovular no momento apropriado durante o cio.

Sua cérvix precisa estar relaxada e aberta na época do cio para permitir a passagem do sêmen no momento da cobertura.

Infertilidade Fisiológica

Há muitas variações ou desvios do padrão fisiológico normal que resultam na infertilidade da égua. Esses problemas parecem ser as causas predominantes de infertilidade nas éguas de todas as idades, mas especialmente em éguas mais velhas e nas que estão reprodutivamente inativas por 2 anos ou mais.

1. Cios irregulares podem variar do anestro completo (ausência de cio) a um período de cio excessivamente prolongado. Freqüentemente, as éguas que não apresentam cios aparentes estão, na realidade, tendo “cios silenciosos”.

Esses podem ser detectados por um exame veterinário da cérvix. Cios prolon­gados, na maioria das vezes, ocorrem no início da estação de monta (agosto/setembro) e normalmente se corrigem sozinhos. Isso, às vezes, é devido a doenças nos ovários.

Ovulação irregular pode ocorrer, podendo resultar na liberação dos óvulos alguns dias após o cio e após a morte de qualquer esperma que possa ter sido introduzido. Às vezes, não haverá ovulação, e isso é resultado de um
desenvolvimento e amadurecimento incompleto do folículo. Isso, e também um tumor no ovário podem causar um cio prolongado. Esses dois últimos problemas são mais comuns em éguas idosas.

Abertura incompleta da cérvix é, na maioria das vezes, resultado de uma atividade hormonal reduzida ou de cicatrizes cervicais pós-parto.

Abortos crônicos ocorrem em éguas que habitualmente abortam suas crias com aproximadamente 60 dias. Essa é a época que o ovário passa sua responsa­bilidade de produzir progesterona (um hormônio necessário à manutenção
da prenhez) para a placenta. Quando essa transferência não é feita com sucesso, ocorre o aborto. Como o feto é muito pequeno nessa época, não há evidência que ocorreu um aborto, exceto que a égua entra novamente em cio. Se uma égua foi diagnosticada prenhe, pelo menos, 3 vezes aos 40 dias, e volta a apresentar cio após 60 a 90 dias, pode-se presumir que ela tem abortos crônicos.
O tratamento hormonal desse problema deve começar logo que a prenhez for detectada, e continuar até o último mês de prenhez.

Infertilidade temporária enquanto em lactação ocorre com algumas éguas, assim como muitas mulheres. Quando essa condição é detectada em uma égua em particular, tratamento de rotina deve ser administrado antes do seu cio de 30 dias após o parto, para assegurar que esse cio será forte e normal.
Isso envolve o uso de uma injeção de prostaglandina ou infusão uterina.

Falsa prenhez ou prenhez psicológica é resultado de um problema hormo­nal, e faz com que a égua aja e pareça, em todos os aspectos, prenhe. Os cios param, tanto física quanto fisiologicamente. Isso é normalmente devido a corpo lúteo que não desapareceu como é normal. Se a égua mantiver essa prenhez pelo tempo certo, pode apresentar um grande abdome e produzir leite. Essa condição é muito mais comum na cadela do que na égua. Ocasional­
mente, a égua pode passar pelos movimentos do trabalho de parto, mas, é claro, não produz um potro. Na maioria das vezes, essas éguas começam a ter, novamente, ciclos normais. O melhor é perceber essa condição logo, e trazer a égua de volta aos ciclos normais através de um tratamento, para evitar a perda de todo um ano de criação.

Felizmente, muitas dessas causas fisiológicas de infertilidade na égua respondem razoavelmente bem ao tratamento. Muitas éguas com atividade hormonal insuficiente podem ser estimuladas com o uso de prostaglandinas ou infusões uterinas. Prostaglandina é uma substância que dissolve o corpo lúteo, normal­mente fazendo com que a égua volte ao cio em 10 dias; também faz com que a égua prenhe aborte. As prostaglandinas são comumente usadas para encur­tar o período entre os cios das éguas. A gonadotrofina coriônica é comumente usada para ajudar no desenvolvimento dos folículos, assim como para auxiliar na ovulação. Cada caso em particular deve ser avaliado por um exame veterinário. É importante que todas as éguas estejam em boas condições físicas, para reprodução.

7. Hipotireoidismo no cavalo não é incomum, sendo causado por baixa atividade da glândula tireóide. É uma condição que em geral não é diagnosticada clinicamente. As éguas afetadas vão ter, tipicamente, excesso de peso, um crina grande e pesada, e vão engordar com facilidade. Essas éguas têm tendênciaao aguamento, mesmo se alimentando de capim. A administração de tiroxina é freqüentemente necessária para melhorar suas chances de emprenhar.

Infertilidade Física

l.Infecções que se estabelecem no útero da égua quase sempre a deixam incapaz de emprenhar ou produzir um potro normal e saudável. Essas infecções em geral são causadas por bactérias normalmente encontradas no ambiente externo, mas se associam com o trato reprodutivo por contaminação. Essas infecções não são doenças venéreas propriamente ditas, pois as bactérias que as causam são apenas “oportunistas” e não necessitam dos tecidos do trato genital para sobreviver.

Os estudos mostram que quase 100% das éguas pegam uma infecção no trato genital após o parto. Bactérias do meio ambiente são freqüentemente sugadas para o interior da vagina e útero pela pressão negativa criada no momento da expulsão do potro. A maioria das éguas livra-se dessa infecção em 7 a 14 dias. A resistência natural do tecido é surpreendentemente eficaz em evitar o estabelecimento da infecção, se o dano ao tecido não foi extenso,os processos de cura normais ocorrem sem interferência.

2. Metrite contagiosa eqüina (MCE) é uma doença venérea dos cavalos alta­mente contagiosa, que causa uma infecção purulenta (que causa pus) aguda no útero da égua. É uma doença relativamente nova, identificada pela primeira vez na Inglaterra em 1977. A doença já foi encontrada na Irlanda, Austrália, França e Estados Unidos (Kentucky) e tem restringido o movimento dos cavalos entre esses países. Essa é uma das únicas doenças dos cavalos que são conside­radas doenças venéreas. A outra é o exantema coital dos eqüinos, uma doença esporádica causada por um herpes vírus que provoca o aparecimento de peque­nas vesículas (bolhas”) que saram em 7 a 10 dias sem complicações.

A bactéria que causa MCE é, na maioria das vezes, introduzida na égua no momento da cobertura, mas pode ser propagada pelos humanos. Apesar do garanhão tornar-se infectado, não apresenta sintomas clínicos, porém fre­qüentemente age como transmissor da doença. Algumas éguas, sem sintomas, podem tornar-se transmissoras crônicas.

Quando a bactéria infecta o revestimento do útero, um corrimento denso e, às vezes, profuso é observado, vindo do útero. Algumas infecções podem se limitar à vulva, e não se notará corrimento. A duração da doença é, normal­mente, de 10 a 14 dias em éguas tratadas e não tratadas, mas as não tratadas freqüentemente se tornam transmissoras. Apesar da bactéria ser sensível a vários antibióticos diferentes e, apesar da doença ser facilmente tratada no garanhão, o tratamento das éguas é menos confiável. Testes laboratoriais são usados para confirmar o diagnóstico. Os casos de MCE devem ser comunicados às autoridades estaduais e federais apropriadas.

3 Retenção de placenta e cobrir a égua no cio do potro são os dois fatores que mais predispõe o estabelecimento de uma infecção uterina após o parto. A retenção de placenta é geralmente devido a uma infecção pequena, anterior ao parto. Nutrição imprópria pode também ser um fator. O potro pode ou não estar doente ao nascer. Quando a placenta é retida por mais de 8 horas, deve-se procurar o veterinário. Ela deve ser removida em 24 horas e tratamento apropriado é essencial para prevenir o estabelecimento de uma infecção e até a possível morte da égua. Mortes após complicações de retenção de placenta são acontecimentos freqüentes todos os anos.

4.Pneumovagina nas éguas é outro fator que predispõe a infecções. A condi­ção resulta de um afundamento do ânus que faz com que a vulva seja protegida,permitindo que o ar seja sugado pela vagina. Isso pode ser devido à má confor­mação ou às más condições. É muito comum no Puro-Sangue Inglês. A irritação constante que ocorre supera a resistência dos tecidos e abre caminho para as infecções. Essa irritação pode também produzir uma reação química desfavo­rável com os fluidos do trato genital, encurtando, assim, a vida dos espermatozóides. A inseminação artificial é benéfica em algumas dessas éguas, pois permite ultrapassar o local do distúrbio químico, se uma infecção ainda não se instalou no útero. Isso é especialmente verdadeiro para as éguas que sugam ar somente quando estão no cio. Uma cirurgia razoavelmente simples vai,
normalmente, evitar a pneumovagina e pode acrescentar anos de produtividade às éguas afetadas. Essa cirurgia é a “operação de Caslick”, que consiste em fechar o terço superior da vulva com suturas.

5.O garanhão também pode ser um fator na passagem de infecções de uma égua para outra. Isso acontece normalmente apenas por meios mecânicos. Para ocorrer esse contágio, geralmente é necessário que o garanhão cubra primeiro uma égua infectada, e então dentro de 24 horas, cubra outra égua, introduzindo nela essa infecção. O garanhão raramente desenvolve a infecção, apesar de ser possível. Garanhões adultos (com mais de 5 anos de idade) parecem bem resistentes a infecções, mas os jovens, de 2 anos de idade, parecem
mais suscetíveis. Se um garanhão possui uma infecção ativa, freqüentemente não a passa para as éguas, mas isso também é possível. Quando ele tem uma infecção, raramente consegue emprenhar uma égua.

Algumas das outras fontes comuns de contaminação mecânica que levam a infecção são: pouca higiene na cobertura, técnicas de coleta de material anti-higiênicas, o uso de instrumentos vaginais contaminados, e procedimento ultrapassado de alguns “cavaleiros” de “abrir” uma égua.

Deve-se ter em mente que nem todas as infecções são óbvias, e o corrimento vaginal nem sempre acompanha uma infecção. O ciclo estral de uma égua infectada é geralmente bem regular, mas ela não emprenha após repetidas coberturas. Abortos precoces (60 a 120 dias) podem ocorrer numa égua que subitamente volta ao cio, após 2 ou 4 meses de anestro (ausência de cio). Freqüentemente a cria abortada não é encontrada e nenhum corrimento é notado.

Apesar das infecções geralmente impedirem a prenhez, em alguns casos, ela é levada a termo, apenas para dar a luz um potro morto ou gravemente doente. A cobertura é raramente, se é que alguma vez o é, recomendada no caso de uma infecção conhecida.

Uma cultura cervical ou uterina é a única técnica para se diagnosticar uma infecção. Algumas éguas podem apresentar um corrimento acentuado que pode ser apenas inflamatório, sem bactérias presentes por outro lado, éguas que podem parecer “limpas” podem apresentar uma infecção extensa. O procedimento da cultura envolve tirar uma amostra estéril da cérvix ou útero da égua quando está em pleno cio, e semear num meio de cultura. Se houver bactérias presentes, o diagnóstico pode ser confirmado, e os antibióticos mais eficazes podem ser selecionados por um antibiograma. Atualmente, os veterinários estão revendo a importância desses achados de cultura.

Minimizando infecções uterinas

Utilize boa higiene de cobertura.

Evite a cobertura no cio do potro. Em nenhuma outra época a resistência da égua está tão baixa quanto nessa. Freqüentemente leva de 10 a 14 dias para uma égua se livrar de sua infecção leve pós-parto. O útero realiza muitas
contrações nessa época. Se a cobertura no cio do potro for necessária por causa do fator tempo, peça a um veterinário de eqüinos um exame pré-cobertura e uma cultura.

Antes da cobertura, faça cultura de todas as éguas que retiveram a placenta por mais de 8 horas, tiveram qualquer corrimento vaginal, foram cobertas em um ou mais cios normais, mas não emprenharam (mesmo éguas virgens
podem estar infectadas) que são estranhas ou de outro estábulo. Faça cultura de todas as éguas de fora.

Deve-se frisar que as infecções são difíceis de eliminar, mesmo com tratamento extensivo e persistente, e tornam-se mais difíceis quanto mais se demorar a tratá-las. O criador deve estar ciente desse problema e fazer todos os esforços para prevenir sua ocorrência, através de um manejo apropriado, boa higiene de cobertura, e assistência veterinária de rotina.

Útero infantil é o resultado de uma insuficiência glandular. Os ovários são geralmente pequenos e o útero tem apenas uma fração do seu tamanho normal Esses animais ocasionalmente vão ter desenvolvimento ovariano suficiente para terem ciclos estrais, mas não vão conceber. Essa é uma causa de esterilidade permanente, com poucas exceções. O problema é diagnosticado em um exame físico realizado pelo veterinário.

Restrição cervical pode ser resultado de cicatrizes e adesões que, na maioria das vezes, ocorrem após um parto difícil. Essa condição é difícil de tratar efetivamente e, com freqüência, resulta em esterilidade permanente.

INFERTILIDADE NO GARANHÃO

Como regra geral, a infertilidade no garanhão torna-se um problema evidente quando todas ou a maioria das éguas cobertas voltam ao cio e não estão prenhas. Isso não é tão evidente quando o garanhão está cobrindo apenas poucas éguas.

Causas

l. Más condições gerais devido à nutrição inadequada, parasitismo e doenças podem prejudicar a fertilidade. Também exaustão física e mental, devido à preocupação com cobertura e uso excessivo como rufião podem resultar em baixa qualidade de esperma.

falta de desenvolvimento testicular é geralmente um problema congênito, mas pode ser o resultado de deficiências nutricionais precoces ou doenças com febre alta. Ocasionalmente, o tratamento hormonal é eficaz.

Degeneração testicular pode resultar de injúrias diretas ou infecções locais. Tratamento para infecções pode ser eficaz se o dano nos testículos não é extenso.

Masturbação é um hábito que o garanhão pode desenvolver, sendo uma causa comum para a diminuição da fertilidade. Ele faz isso esfregando o pênis contra o abdome, resultando numa ejaculação. Freqüentemente, essa atividade
é praticada à noite e não é observada pelo proprietário. Exercício insuficiente pode predispor à masturbação. Essa condição é melhor tratada usando um anel de plástico no pênis do garanhão. O anel é colocado no pênis relaxado, ajustando-se bem, mas não muito apertado. O exame e cuidados freqüentes com o anel são necessários para evitar causar danos ao pênis.

Ejaculação inadequada é uma causa comum de infertilidade. É um problema que ocorre quando o garanhão faz uma cobertura normal, mas não ejacula, e geralmente não é observada a cauda “abanando”. A melhor maneira de se determinar se isso está ocorrendo é examinar microscopicamente um pouco dos fluidos que são coletados do pênis do garanhão, após a cobertura, quando ele desmonta. Se não houver espermatozóides presentes nesse fluido, é impro­vável que o garanhão tenha uma ejaculação normal. Se isso for verdade, o animal estará pronto para realizar outra cobertura em apenas poucos minutos.
Ocasionalmente, um garanhão, em particular, pode fazer três coberturas antes
que ocorra uma ejaculação normal. Quando essa condição é reconhecida, um exame do fluido após a cobertura deve ser realizado rotineiramente, e as éguas cobertas novamente, se necessário. Isso normalmente melhora a taxa de concep­ção do garanhão imediatamente.

O estudo do sêmen pode indicar a fertilidade do garanhão, sendo usado para determinar as causas da baixa fertilidade e esterilidade. As características notadas no sêmen são a cor, densidade, motilidade, número e a forma dos espermatozóides, e contagem vivos/mortos. O fluido também é examinado em busca de células de pus. Pode-se, ainda, fazer uma cultura com o sêmen para determinar se há uma infecção bacteriana. Muitos haras fazem estudos de sêmen, rotineiros, nos seus garanhões, no início da estação de monta, e checagens rápidas, periódicas durante a estação. Os estudos mostram que a contagem de espermatozóides normal dos garanhões, no inverno, é aproxima­damente a metade da contagem durante os meses de primavera e verão.

 

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